Você finalmente terminou o trabalho. As tarefas do dia foram concluídas, a casa está em silêncio e existe um momento livre para descansar. Você se senta no sofá, mas a cabeça continua funcionando.
“Preciso responder aquela mensagem.” “Será que esqueci alguma coisa?” “Amanhã tenho aquela reunião.” “Também preciso resolver isso…”
Mesmo quando o corpo está parado, a mente parece continuar em movimento. Se essa cena é familiar, talvez você já tenha se perguntado: por que eu não consigo relaxar?
A dificuldade de desacelerar pode estar relacionada a uma rotina de muitas demandas, preocupações constantes, excesso de estímulos ou ao hábito de permanecer sempre em estado de alerta. E, para muitas mulheres, vale lembrar que ainda existe uma carga mental que continua funcionando mesmo quando o expediente termina.
Descansar não é apenas parar
Existe uma distinção importante entre interromper uma atividade e realmente descansar.
Deitar no sofá, assistir a uma série ou passar alguns minutos no celular pode significar que o corpo está em repouso. Porém, isso não necessariamente significa que a mente conseguiu sair do modo de preocupação e produtividade.
Aliás, quando estamos acostumados a resolver problemas o tempo inteiro, o silêncio pode até parecer desconfortável. É como se fosse necessário estar sempre antecipando alguma coisa: o próximo compromisso, a próxima tarefa, uma possível dificuldade ou aquilo que ainda precisa ser resolvido.
Por isso, algumas pessoas chegam ao fim do dia exaustas, mas encontram dificuldade para relaxar ou até para dormir.
A carga mental também continua depois do expediente
Conforme falei, para muitas mulheres, o trabalho não termina quando elas fecham o computador.
É preciso lembrar do supermercado, da consulta, da reunião da escola, da conta que vence, do aniversário de alguém, da roupa que precisa ser lavada ou da próxima refeição que precisa ser planejada. Mesmo quando outra pessoa executa uma tarefa, a responsabilidade de lembrar que ela precisa acontecer pode continuar existindo.
Essa espécie de “lista mental” permanente dificulta a transição entre o estado de produtividade e o descanso.
Não é simplesmente falta de capacidade para relaxar. Muitas vezes, é o resultado de uma mente que passou o dia inteiro tentando antecipar e administrar demandas.
Quando a preocupação ocupa todo o espaço
Outro ponto importante é observar o que acontece quando você tenta parar.
Se, ao desacelerar, pensamentos preocupantes ficam mais intensos, talvez o problema não esteja no descanso em si, mas na dificuldade de lidar com aquilo que aparece quando não existem outras atividades para ocupar a atenção.
Por isso, vale observar:
- Minha mente fica presa em problemas que ainda nem aconteceram?
- Sinto culpa quando não estou produzindo?
- Tenho dificuldade de ficar alguns minutos sem fazer nada?
- Mesmo em momentos de lazer, penso nas tarefas pendentes?
- Tenho dificuldade para dormir porque minha cabeça continua acelerada?
Esses sinais não significam, sozinhos, que exista algum transtorno, porém, podem indicar que sua rotina e sua relação com descanso merecem atenção.
Como começar a ensinar sua mente a desacelerar?
Não existe uma fórmula única para relaxar que funcione para todo mundo. E, muitas vezes, tentar transformar o descanso em mais uma tarefa a ser cumprida pode produzir o efeito contrário.
Algumas atitudes, porém, podem ajudar:
- Crie uma transição entre trabalho e descanso: um banho, uma caminhada curta, uma troca de roupa ou alguns minutos longe das telas podem ajudar a sinalizar que o dia de trabalho terminou.
- Coloque as pendências no papel: quando tudo fica apenas na cabeça, a sensação de que você precisa lembrar de tudo pode aumentar. Registrar as tarefas para o dia seguinte ajuda a diminuir essa carga.
- Experimente momentos sem produtividade: nem todo tempo livre precisa ser usado para organizar a casa, estudar, resolver problemas ou consumir conteúdos.
- Observe a culpa: se descansar provoca a sensação de que você deveria estar fazendo alguma coisa, vale investigar de onde vem essa cobrança.
- Respeite seus limites: uma rotina permanentemente acelerada pode fazer com que o corpo e a mente tenham cada vez menos espaço para recuperação.
Você não precisa estar fazendo alguma coisa o tempo inteiro
Descansar também é uma atividade importante, ainda que não produza um resultado visível.
Se você percebe que está constantemente em estado de alerta, que não consegue se desligar das preocupações ou que a dificuldade de relaxar está interferindo no sono, nos relacionamentos ou na qualidade de vida, conversar com um profissional de saúde mental pode ser um caminho importante.
Afinal, talvez você não precise aprender a fazer mais. Talvez precise, aos poucos, aprender que é seguro parar.
