Falar sobre solidão ainda costuma despertar uma imagem muito específica: a de alguém que está sozinho, sem amigos, sem família e sem relacionamentos próximos.
Mas a solidão nem sempre se parece com isso.
Uma mulher pode ter filhos, amigos, uma carreira, uma família presente e ainda assim sentir que não tem com quem dividir aquilo que realmente importa.
Depois dos 40, essa experiência pode ganhar contornos ainda mais complexos. Afinal, essa é uma fase em que muitas mulheres começam a olhar para a própria vida de uma maneira diferente e perceber que alguns papéis, relações e escolhas que funcionaram por muitos anos já não fazem o mesmo sentido.
E falar sobre isso importa. Por isso, escrevi este artigo para nos aprofundarmos nesta conversa.
A solidão pode aparecer mesmo quando existe companhia
Estar cercada de pessoas não significa necessariamente sentir-se conectada. Existe uma diferença entre ter pessoas por perto e sentir que existe espaço para ser verdadeiramente vista, ouvida e acolhida.
A mulher pode estar sempre cuidando de alguém, respondendo mensagens, trabalhando, administrando a casa, acompanhando os filhos e mantendo a vida funcionando — mas, quando olha para si, percebe que não tem um espaço onde possa simplesmente existir sem precisar desempenhar algum papel.
É uma solidão silenciosa. E justamente por ser silenciosa, pode passar despercebida.
Depois dos 40, muitas relações também mudam
A vida adulta é marcada por transições.
Os filhos podem crescer e conquistar mais autonomia. Amizades que antes eram frequentes podem se tornar mais distantes. Algumas pessoas mudam de cidade, outras passam a priorizar a família, a carreira ou novos projetos.
Relacionamentos também podem terminar.
E, para algumas mulheres, existe ainda o desafio de construir novos vínculos em uma fase em que parece que “todo mundo já tem sua vida organizada”.
A solidão feminina também pode estar relacionada à identidade
Existe outro aspecto importante: depois dos 40, algumas mulheres começam a perceber que passaram muitos anos priorizando expectativas externas: ser uma boa profissional, uma boa mãe e boa parceira, cuidar da família e dar conta de tudo.
Quando algumas dessas responsabilidades mudam, pode surgir uma pergunta desconfortável: “E agora, quem sou eu?”
Essa sensação não significa necessariamente que exista algum problema psicológico. Pode ser parte de um processo natural de transformação. Porém, pode também trazer vazio, insegurança e sensação de desconexão.
Por isso, falar sobre solidão feminina depois dos 40 é também falar sobre identidade, pertencimento e vínculos.
Não precisamos romantizar a solidão, nem ter medo dela
Aprender a estar consigo mesma pode ser uma experiência importante. Contudo, isso não significa que precisamos transformar a solidão em algo desejável ou acreditar que “não precisar de ninguém” seja sinônimo de força.
Somos seres relacionais. Precisamos de vínculos, troca, intimidade, amizade, afeto e pertencimento.
O objetivo não é aprender a não precisar de ninguém. É construir relações nas quais exista espaço para dar e receber, sem que a mulher precise desaparecer dentro dos papéis que desempenha.
Talvez por isso esse assunto precise ser mais discutido. Porque a solidão feminina depois dos 40 não é necessariamente sobre estar sem companhia.
Às vezes, é sobre passar muito tempo cuidando de todos e perceber que, no caminho, faltou alguém para perguntar como você realmente está.
E talvez esse seja um bom momento para começar a fazer essa pergunta a si mesma.
