É muito comum que as crianças testem os limites dos seus pais ou responsáveis durante o seu desenvolvimento. Assim, birras, teimosia ou resistência a regras fazem parte do processo de crescimento saudável de todos os pequenos, principalmente em algumas idades.
Contudo, quando esses comportamentos se tornam frequentes e começam a causar prejuízos significativos para as relações familiares, escolares e sociais, podem apontar a existência do chamado Transtorno Opositivo Desafiador (TOD).
Neste artigo, vou falar mais sobre essa condição, sintomas e quando é importante procurar ajuda especializada. Confira mais abaixo!
Afinal, o que é o Transtorno Opositivo Desafiador?
Este é um transtorno de comportamento caracterizado por um padrão contínuo de atitudes desafiadoras, desobedientes e hostis direcionados a figuras de autoridade, incluindo progenitores, professores e cuidadores.
Essas ações vão além de rebeldias ocasionais, sendo que crianças com TOD têm dificuldade em lidar com regras, frustrações e limites, gerando muito sofrimento para elas e para quem está ao seu redor.
Quais são os principais sintomas do TOD?
Normalmente, os sinais de alerta aparecem antes dos 8 anos de idade e costumam se intensificar com o tempo, sobretudo, se não houver nenhum tipo de intervenção.
Os mais comuns são:
- Comportamento desafiador: o pequeno vive questionando as regras, discutindo com adultos e desafiando instruções.
- Irritabilidade e mau humor: apresenta raiva frequente, irrita-se com facilidade e parece estar sempre “de mal” com o mundo;
- Tendência à provocação: afronta deliberadamente outras pessoas ou as culpa por seus erros;
- Recusa em cooperar: não cumpre tarefas e obrigações ou segue orientações, mesmo as mais simples; e
- Comportamento vingativo: pode guardar ressentimentos e ter atitudes de revanche, ainda que por motivos aparentemente pequenos.
Essas atitudes podem não só impactar o desempenho escolar e as amizades, mas também o convívio familiar, fazendo com que a criança se afaste de todos os que são importantes para ela.
Inclusive, é bastante comum que esses pacientes também apresentem outros sintomas associados, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
Quando é importante buscar ajuda profissional?
Caso os comportamentos descritos neste artigo se tornem bastante frequentes, ocorrendo quase todos os dias durante mais de seis meses e afetando o cotidiano do pequeno e da família, é essencial buscar avaliação com especialistas de saúde mental.
O diagnóstico é clínico e exige bastante cuidado para diferenciar o TOD de outras atitudes típicas da infância ou de fases de desenvolvimento.
Uma vez que seja identificado, o tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar, podendo incluir:
- Psicoterapia infantil, especialmente com foco em habilidades sociais, autorregulação emocional e resolução de conflitos;
- Aconselhamento e orientação para os pais, ajudando-os a lidar de forma mais eficaz com o comportamento do filho ou da filha;
- Intervenção escolar, com o apoio de educadores e psicopedagogos; e
- Em alguns casos, acompanhamento psiquiátrico e uso de medicação, principalmente quando há comorbidades.
Com muito amor e cuidado, é possível apoiar as crianças a lidarem melhor com seus comportamentos e a construírem relacionamentos mais saudáveis.
